Saúde e bem estar

Problemas ortopédicos: saiba como a prática de exercícios físicos pode ajudar na prevenção

pessoas na hidroginastica

Problemas ortopédicos são um problema de saúde importante, afetando grande parcela da população. As patologias da coluna vertebral são algumas das causas mais frequentes em consultório, seguidas de disfunções em segmentos do corpo, como ombros, cotovelos, punhos, mãos e membros inferiores (joelho e tornozelo).

Dentre as causas de lesões em ossos, músculos e articulações destacam-se as atividades laborais, os exercícios físicos realizados de forma incorreta ou por sobrecarga e o trauma em virtude de acidentes.

O tratamento, em muitos casos, pode ser feito por meio da reabilitação, que consiste em exercícios feitos na fisioterapia. No entanto, a atividade física também é um modo de prevenir que os problemas ortopédicos aconteçam.

Neste artigo, vamos explicar qual é a relação entre exercícios físicos e a redução de problemas ortopédicos. Além disso, saiba quais são as melhores atividades para prevenir a ocorrência de lesões.

Por que os exercícios físicos previnem os problemas ortopédicos?

A prática de exercícios físicos não está relacionada somente à queima de calorias e à melhoria estética do contorno corporal. Esse tipo de atividade promove o aumento da musculatura esquelética, o que é muito benéfico para a prevenção de problemas ortopédicos.

Isso acontece porque os exercícios estimulam as células musculares esqueléticas que já existem a produzir novas fibras, ocasionando aumento do volume da célula e, consequentemente, do tamanho do músculo.

Esse processo é importante, visto que nos indivíduos adultos essas células não se dividem mais, ou seja, não são formadas novas unidades. Assim, a hipertrofia é imprescindível para fortalecer o tecido e evitar lesões ortopédicas.

No tecido conjuntivo que envolve os miócitos (células musculares), há células especiais, chamadas satélites. Quando o músculo é constantemente estimulado por meio dos exercícios, elas podem se multiplicar, e algumas se fundem às fibras musculares, o que também contribui para maior resistência e aumento do músculo.

Além disso, as células satélites têm papel importante na regeneração muscular quando ocorrem lesões, seja por trauma, seja por exercício feito de forma incorreta.

O sedentarismo e o envelhecimento são fatores que levam à atrofia e à perda da massa óssea, o que deixa os ossos mais propensos a fraturas. É por esse motivo que os estímulos físicos, em geral, também são benéficos para a manutenção e o ganho de massa óssea. Afinal, a força mecânica gerada durante os exercícios regula a atividade dos osteoblastos, as células que formam a matriz do osso.

Além disso, o processo provoca aumento das redes de barreiras ósseas, tanto horizontais quanto verticais, tornando o osso mais denso e forte. Por fim, o estímulo elétrico estimula a incorporação de cálcio no osso, o principal mineral responsável pela força do esqueleto.

Quais exercícios podem ser realizados para prevenir lesões?

Musculação

A musculação age criando pequenas fissuras no tecido muscular que posteriormente serão cicatrizadas. Isso acontece porque durante o processo há um evento inflamatório que propicia a reparação do tecido e permite maior fluxo de sangue, o que significa maior número de nutrientes e oxigênio para as células do músculo.

Assim, o tecido muscular hipertrofia, ou seja, aumenta de tamanho e se torna mais forte. Isso é importante porque pessoas com músculos enfraquecidos estão propensas a ter lesões musculares com maior frequência e maior intensidade, além de também sofrerem maior risco de lesão óssea e articular.

O músculo forte se rompe com menor facilidade, tem maior resistência ao estiramento (e consequentemente à dor) e também protege a integridade dos ossos, dos ligamentos e dos tendões. No entanto, a musculação feita de forma errada pode ser a causa da lesão. É por esse motivo que todo exercício deve ser acompanhado por um profissional capacitado.

Treino funcional

O treino funcional tem o mesmo objetivo da musculação — o fortalecimento dos músculos. No entanto, nesse caso não se utilizam equipamentos, mas o peso do próprio corpo para realizar os exercícios.

Esse tipo de atividade física é interessante para quem gosta de se exercitar em ambientes abertos, como parques, visto que não é necessário todo o aparato da academia. Entretanto, a mesma ressalva da musculação deve ser feita para o treino funcional, ou seja, é imprescindível que o plano de exercícios seja acompanhado por pessoa capacitada.

Hidroginástica

Em geral, nos exercícios aquáticos há menor sobrecarga de estruturas, como os joelhos e tornozelos, o que pode ser muito benéfico para os idosos ou pessoas que já sofreram traumas nesses locais.

Neles, há pressão nos tendões, nos ligamentos e no periósteo, o tecido que recobre e nutre os ossos. Dessa forma, ocorre estímulo nas células ósseas que estão localizadas na junção do osso ao tendão, o que é benéfico para a prevenção da osteoporose, doença muito comum na terceira idade, que propicia a fratura óssea.

Isso acontece porque a água é um meio resistente e, como está em contato com toda a superfície corporal, promove contração muscular. Quanto maior a tensão, maior é o estímulo para a formação de matriz óssea.

As sessões de hidroginástica devem ser individualizadas, de modo que o limite de cada pessoa seja respeitado.

Pilates

O pilates é um tipo de atividade física que relaciona exercícios a alongamentos. O peso do próprio corpo é utilizado, mas também podem ser usados pesos e aparelhos para a sua prática. Os exercícios são suaves e priorizam a qualidade e não a quantidade, o que é muito benéfico para pessoas em reabilitação muscular.

Outro objetivo da técnica é a reeducação do movimento por meio do trabalho de vários grupos musculares ao mesmo tempo. Assim, além do fortalecimento muscular, há melhora da postura e da flexibilidade.

Em geral, qualquer atividade física que seja acompanhada por um profissional pode ser usada para exercitar os músculos e prevenir lesões ortopédicas. É importante encontrar um exercício que seja prazeroso para o indivíduo, de modo que a prática não se torne uma obrigação. Sendo assim, é válido experimentar várias modalidades e encontrar a que seja mais agradável, o que é muito particular.

E então, aprendeu qual é a importância dos exercícios físicos para evitar problemas ortopédicos? Assine a nossa newsletter e receba em seu e-mail conteúdos exclusivos sobre saúde e atividade física!

Sobre o autor

DR. EDUARDO LOUZADA DA COSTA

DR. EDUARDO LOUZADA DA COSTA

CRM - MG 46.264

Graduação em Medicina na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Residência Médica em Ortopedia e Traumatologia na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Especialização e pós graduação em Cirurgia do Joelho (FELUMA), Mestrado em Cirurgia na Faculdade de Medicina da UFMG, Fellow em Sports Medicine na Stanford University (California - USA), Coordenador do serviço de Cirurgia do Joelho do Hospital da Unimed - BH. Preceptor da Residência Médica do Hospital da Unimed - BH.

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