Ombro e cotovelo

Ombro do arremessador: tudo sobre a prevenção e tratamento

ombro do arremessador
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Fratura, luxação, ruptura de tendão… são várias as lesões que podem acometer a articulação do ombro. Por se tratar de uma das estruturas mais versáteis do corpo humano, ela está susceptível a várias injúrias. Conhecer as principais doenças que podem levar a lesões na região pode facilitar a prevenção e o diagnóstico precoce. Mas você já ouviu falar sobre o ombro do arremessador?

Como o próprio nome diz, essa doença acomete principalmente atletas na modalidade de arremesso. Dentre os esportes em que é mais recorrente estão vôlei, tênis, handebol e beisebol. Pessoas que praticam constantemente atividades nessas áreas devem ter uma atenção especial aos sintomas.

Neste post, falamos sobre as principais características do ombro do arremessador: seus sintomas, causas, como preveni-lo e tratá-lo. Por fim, você saberá as medidas para a prática saudável de exercícios físicos e quando procurar por um especialista. Está preparado? Então continue conosco!

Afinal, o que é ombro do arremessador?

Damos esse nome a um conjunto de alterações nos ombros em pessoas que praticam esportes de arremesso. O ombro do arremessador pode ocorrer em qualquer idade; no entanto, ele é mais comum em pessoas que realizam essas atividades desde a adolescência. A doença é caracterizada por três alterações: contratura da cápsula posterior, lesões do lábio superior (SLAP) e discinesia da escápula.

Quais são suas causas?

Quem pratica os esportes que mencionamos estão submetidos a uma pressão constante na articulação do ombro. O movimento do arremesso é muito amplo: frequentemente, o ângulo percorrido pelo braço ultrapassa os 180º em uma velocidade muito grande. Repetir esses movimentos durante o dia só aumenta o atrito entre as estruturas envolvidas.

Além disso, existem vários fatores desse exercício que têm grande variabilidade. Força, amplitude e equilíbrio não são os mesmos o tempo todo. Por isso, a adaptação do corpo a essas tensões pode não ser corretamente adequada e predispor a lesões futuras. Por fim, algumas técnicas inadequadas submetem o corpo a mais pressão do que o necessário, aumentando o risco de doenças.

Quais são os sintomas?

Conhecer os sintomas da doença é importante para diferenciá-la de outras lesões. A principal característica do ombro do arremessador que confere essa diferenciação é sua evolução: a instalação dos sintomas costuma ser lenta e gradual, diferentemente de outros quadros. Em bursites ou rupturas de tendão, por exemplo, os sinais da doença atingem seu ápice em horas ou dias.

Na primeira fase do ombro do arremessador, ocorre a limitação de um movimento chamado de rotação interna. Ele ocorre quando se põe o braço a 90º da posição de relaxamento e se aproxima a mão do abdômen. Ainda que não haja dor, essa restrição já faz o ombro ser considerado “em risco”: atletas com essa alteração estão mais predispostos a outras lesões e devem ser tratados precocemente para evitar a progressão da doença.

A segunda alteração que ocorre é uma dificuldade na rotação do ombro. Ela se torna desviada para cima e para trás, deslocando o eixo do movimento e causando maiores anomalias. Isso pode tensionar o tendão da cabeça longa do bíceps, gerando as lesões que chamamos de SLAP. Ela ocorre devido a um descolamento desse tendão da estrutura óssea a que está fixado.

Nesse ponto, começa a haver dor na articulação. A fase de armação, com o braço atrás da cabeça, é a mais rapidamente acometida: nesse movimento, pode haver um sentimento de “braço morto”. Dentre outras alterações que podem ocorrer estão a frouxidão ligamentar e limitação no movimento da escápula. Tudo isso dificulta ou impossibilita o arremesso, trazendo um prejuízo importante ao atleta.

Como preveni-lo?

Para atletas de alto impacto, aconselhamento individual e supervisão são primordiais. No entanto, existem algumas medidas globais que podem diminuir a chance de lesão. A principal delas é o alongamento, realizado principalmente no movimento de rotação interna. Para pessoas na fase inicial da doença, essa tática deve ser realizada várias vezes ao dia.

Além dela, o atleta pode recorrer a exercícios específicos para os músculos chamados “rotadores do ombro”. Eles atuam amortecendo o impacto que ocorre durante o exercício e evitando as chances de lesão. Com isso, é possível realizar o movimento de forma correta e prevenir o ombro do arremessador.

Como é o tratamento?

O tratamento inicial do ombro do arremessador consiste em fisioterapia e fortalecimento da musculatura glenoumeral. O objetivo inicial é o mesmo da prevenção: propiciar maior segurança do movimento, amortecimento de impactos e alongamento de tendões. Espera-se que a dor e a limitação de movimento diminuam com essa intervenção.

Nesse período, os exercícios da fisioterapia devem ser seguidos rigorosamente. Eles propiciarão não apenas uma prevenção da progressão do ombro do arremessador, mas também menor risco de outras lesões. Durante sua realização, a recomendação é que os movimentos no ombro sejam suavizados e se prefira a rotação de tronco.

Posteriormente, o ortopedista pode optar pela realização da cirurgia. Em contextos mais avançados, o ombro do arremessador pode ser tratado por uma artroscopia e pela correção da lesão SLAP. Caso a escápula ou o manguito rotador estejam acometidos, eles também podem ser incluídos na cirurgia. A recuperação dura de três a seis meses, mas a recomendação é que os exercícios fisioterápicos se mantenham para evitar a recidiva.

O ombro do arremessador é um dos diagnósticos que podem ser realizados a partir de dor e limitação no ombro. Seus sintomas são graduais, podendo levar meses ou anos para evoluir; no entanto, um diagnóstico precoce e uma prevenção bem realizada podem ser a chave para acabar de vez com o problema.

A automedicação é um dos perigos no contexto da lesão, pois usar indiscriminadamente anti-inflamatórios e analgésicos pode mascarar o ombro do arremessador e piorar o processo patológico. O ideal é que, na incidência de qualquer sintoma no ombro, um especialista seja procurado para dar prosseguimento ao diagnóstico.

Em Belo Horizonte, o Instituto Mineiro de Ortopedia e Traumatologia (IMOT) conta com 10 especialistas em diferentes áreas a ortopedia. Dentre nossas especialidades estão o joelho, o ombro e o cotovelo. Se você está com algum dos sintomas descritos, que tal entrar em contato conosco? Estamos ansiosos para conhecê-lo melhor!

Sobre o autor

DR. THALLES LEANDRO ABREU MACHADO

DR. THALLES LEANDRO ABREU MACHADO

CRMMG 45.610

Graduado em Medicina pela Universidade Severino Sombra (2007), Residência em Ortopedia e Traumatologia pelo Hospital Madre Teresa (2011), Especialização em Cirurgia do Ombro e Cotovelo pelo Hospital Madre Teresa (2012). Membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (2012), Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo (2013). Membro da Academia Americana de Ortopedia (2016). Cirurgião do Ombro e Cotovelo dos Hospitais Vila da Serra, Unimed BH Contorno, Ipsemg. Preceptor das residências médicas dos Hospitais Unimed BH e Ipsemg. Mestrando em Cirurgia na UFMG (2018).

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